quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Cachaça de Salinas em evidência
















Por Roberto Carlos Morais Santiago


Tendo como base a arrecadação de ICMS de 2007 e 2008, na atividade econômica de produção de cachaça, três produtores de Salinas figuram no rol das 300 maiores empresas do Norte de Minas em universo de cerca 17 mil empresas.

Em primeiro lugar, vem o produtor das marcas Boazinha, Saliboa e Seleta (52º. lugar no ranking), do empresário Antônio Eustáquio Rodrigues.

Em segundo lugar, vem o produtor da marca Salinas (54º. lugar no ranking), do empresário Heleno Medrado Fernandes.

Em terceiro lugar, vem o produtor da marca Anísio Santiago-Havana (282º. lugar no ranking), do empresário Osvaldo Mendes Santiago, atual sucessor de Anísio Santiago.

Ressalta-se que os dois primeiros melhores ranqueados (produtores Antônio Eustáquio Rodrigues e Heleno Medrado Fernandes) possuem estrutura de produção em larga escala e também são os maiores produtores do estado. Já o terceiro melhor ranqueado (produtor Osvaldo Mendes Santiago) é considerado pequeno produtor em face de reduzida escala de produção. Entretanto, a marca Anísio Santiago-Havana possui alto valor agregado que a possibilita estar entre as 300 maiores empresa do norte-mineiro.

A produção de cachaça em Salinas, ao longo dos últimos anos, vem estimulando o desenvolvimento sócio-econômico do município possibilitando a geração de renda, emprego e recursos públicos ao erário municipal.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Qualidade e sabor fazem a cachaça de Salinas ganhar fama internacional


Luiz Ribeiro - Estado de Minas


O agricultor Santino Dias Guimarães, de 95 anos, de Salinas, no Norte de Minas, a 661 quilômetros de Belo Horizonte, diz, com orgulho, que, graças à produção de cachaça, conseguiu criar 13 filhos. “Mexi com isso quase 50 anos.” Como ele, há outros antigos moradores do município que dedicaram a maior parte da vida à destilação artesanal da “branquinha”. O produto, que surgiu no tempo da escravidão, faz a fama da cidade do sertão mineiro, conhecida como capital nacional da cachaça. Pode-se dizer que Salinas – de 37,4 mil habitantes –, que já se destacou também pela agropecuária, vive hoje em torno da bebida, preservando a tradição da técnica artesanal. Com 59 marcas registradas, o município produz em torno de 4,3 milhões de litros de aguardente por ano e a atividade gera cerca de 1,3 mil empregos diretos. Em todos os hotéis, o visitante acha guias sobre alambiques e marcas da região. A mais famosa é a Havana, considerada a melhor. Na cidade, sempre em julho, é realizado o Festival Internacional da Cachaça. A partir de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura e o município está sendo criado o Museu da Cachaça, previsto para ser concluído em 2009. É lá que o visitante vai conhecer todo o histórico da bebida. Não se sabe ao certo quando começou a produção de aguardente de cana em Salinas, cuja emancipação político-administrativa ocorreu em 1870, mas teria sido no fim do século 19 ou no início do século 20. De lá para cá, a fama da cidade pela qualidade da pinga aumentou, graças a uma geração de produtores artesanais. O mais conhecido foi o legendário Anísio Santiago, fabricante da Havana, que morreu em dezembro de 2002, aos 90 anos. Hoje, um dos mais famosos é Antônio Rodrigues, produtor das marcas Boazinha e Seleta, considerado o maior fabricante individual de cachaça artesanal do Brasil. Mas, por que Salinas produz a melhor cachaça do país? Pelo relato de antigos produtores, a qualidade da bebida é resultado do solo fértil – apropriado para a cultura da cana –, do método de fermentação, das leveduras – fungos responsáveis pelo processo de fermentação –, do envelhecimento e dos cuidados com higiene e asseio. Mas, o segredo está em algumas técnicas artesanais, que eles guardam a sete chaves. “A questão está no solo. A terra de Salinas dá uma cana diferente”, diz Sabino Pinto Souza, há 20 anos no ramo com as marcas Sabinosa e Brinco de Ouro, entre outras. Ele conta que trabalhou com Anísio Santiago, com quem diz ter aprendido o segredo de se fazer uma boa pinga, mas não o revela por dinheiro algum: “O bom para quem faz cachaça é não precisar vendê-la logo”. E completa: “Envelhecida, fica melhor ainda”. “A boa cachaça depende da fermentação, feita com milho e arroz”, garante o experiente Santino Guimarães, que, por força da idade avançada, parou de alambicar há pouco de mais de cinco anos, mas guarda, como lembrança, rótulos das marcas que produzia: Carícia e Moreninha Fogosa. “As minhas não tinham mistura”, afirma o antigo produtor, acrescentando que guarda em casa, na Fazenda Angico, um pouco do estoque que destilou: “Quando chega um amigo, a gente dá uma garrafa a ele”. Outro antigo produtor é João Fernandes Sobrinho, de 78, dono de uma das mais famosas marcas do município: Lua Cheia – como ele mesmo diz, conhecida em todo o país. Por causa da fama da pinga, ganhou o apelido de João da Lua Cheia. Ele também diz que o segredo “está na fermentação”. Mas faz uma ressalva quanto ao plantio da cana: “A de Salinas não gosta de adubo. Nunca usei”. O produtor conta que “mexe com cachaça” há mais de 40 anos. Mas começou a produzir a Lua Cheia em 1972, com a qual criou os 13 filhos. Ele tem uma produção limitada de 10 mil litros por ano. João da Lua Cheia anunciou que a safra deste ano, encerrada em agosto, foi a última em que produziu a bebida. Quer vender a marca Lua Cheia, pois acha que não tem mais idade para alambicar, mas não revela o preço. “Dinheiro que dê para comprar uma fazenda e um apartamento”, prevê. Há produtores artesanais de Salinas que estão no ramo pelo fato de manter não simplesmente um negócio, mas também uma tradição de família. “Aos 10 anos eu sabia fazer cachaça, aprendi com meu avô”, relata Aldeir Xavier de Oliveira, de 57, da marca Sabiá. O avô, José Xavier de Oliveira, ao lado de Anísio Santiago, é considerado um dos pioneiros do registro de marcas de aguardente na cidade, na década de 1930. “Lembro-me dos tropeiros transportando barris de cachaça em lombos de burro para Comercinho, Medina, Pedra Azul e outras cidades do Vale do Jequitinhonha. Eram 100 litros em cada barril”, conta. Depois da morte de Anísio Santiago, a Havana continuou sendo produzida com a mesma qualidade. O negócio agora é comandado por um dos seus filhos, Oswaldo Santiago. Quando Anísio ainda era vivo, iniciou-se uma briga na Justiça com uma empresa, por causa do registro da marca. Enquanto resolvia a questão, o experiente produtor pôs o próprio nome na garrafa. Mas a Justiça já deu ganho a seus herdeiros, que podem usar a marca novamente. Na Fazenda Havana, a 20 quilômetros de Salinas, hoje no município de Novorizonte, emancipado em 1997, o sistema de produção da famosa cachaça é preservado nos moldes de Anísio Santiago. As lembranças do legendário produtor são guardadas por um sobrinho e funcionário da fazenda, Roberto Santiago dos Santos, que trabalhou com ele durante 10 anos. “Era um homem sistemático, de poucas palavras, mas honesto. As primeiras coisas que verificava eram o asseio e a qualidade do produto”, recorda. Sobre a cidade: População: 37,4 mil habitantes Onde fica: no Norte de Minas, a 661 quilômetros de Belo Horizonte Marcas de cachaça registradas: 59. Algumas das mais conhecidas: Havana, Indaiazinha, Lua Cheia, Beija-Flor, Asa Branca, Boazinha, Canarinha,Erva Doce, Seleta, Sabiá, Preciosa. Empregos gerados: 1,3 mil Produção anual: 4,3 milhões de litros

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Garrafa de cachaça mineira chega a custar R$500,00

A Havana é envelhecida durante 20 anos

Fonte:
Blog da Feira/Secom Feira



Tomar uma cachaça da boa cepa mineira não é para qualquer bolso. E se for uma Havana, os bolsos deverão ser ainda mais forrados. Uma garrafa de 600 mililitros custa R$ 500, mais cara do que um litro de uísque de 18 anos.

O estande da Calazans, distribuidora de cachaça de Minas Gerais, mais precisamente dos municípios de Salinas e Januária, no Parque João Martins da Silva durantes esta Expofeira está atraindo os admiradores e degustadores da mais popular bebida alcoólica nacional.

O estoque é variado. Tem a top Havana, a Anísio Santiago (R$ 300), a Canarinho (R$ 70),mas oferece outras marcas de menor valor no mercado, como a Seleta. “A Havana é envelhecida durante 20 anos”, explica o por que do preço alto, o empresário Maurício Calazans, que com o irmão Marcello Calazans, montaram o estande. A dose da cachaça custa R$ 70. “São bebidas muito apreciadas por degustadores”, diz. Eles levaram cerca de 70 marcas para o estande.

Para quem não tem ‘coragem’ suficiente para levar uma garrafa padrão, a empresa oferece dezenas de opções em vasilhames miniaturas. Os clientes que mais procuram as garrafinhas são os colecionadores, diz Marcelo Calazans. Os preços variam de R$ 5 a R4 12. Está diretamente relacionado à qualidade do produto.

As cachaças de grife, diz quem entende do assunto, não é para ser bebida. Mas para ser degustada como um bom vinho ou uísque. É levar o líquido à boca e decifrar as mensagens que são enviadas ao cérebro. As fabricadas em Salinas são as preferidas. A combinação de solo e clima produz a cana de açúcar ideal para a produção de cachaça.

“É a capital mundial deste produto”, diz Maurício. Ele pretende realizar o 1º Encontro da Cachaça Mineira em Feira – a data ainda não foi definida.

As garrafas foram posicionadas para dar um aspecto de rusticidade ao local – uma espécie de estante ajuda a deixar o espaço ainda mais caracterizado. Nela foram colocados vários vasos especiais ou garrafas de todos os tamanhos em embalagens ‘para presente’. As garrafas de Havana, que não apresentam nenhum luxo ou detalhe que a diferenciem, por motivos óbvios, ficam mais reservadas. Recebem uma atenção especial. Não é qualquer um que a manuseia. Também na sua parede está exposta a Vale Verde, considerada pela Playboy como a melhor cachaça do país.

A cachaça que vale mais que dinheiro








Escrito por Alevinicius
Sex, 19 de Setembro de 2008 10:23

A Anísio Santiago, que já se chamou Havana, é a cachaça mais cara do País. Uma garrafa de 600 ml chega a custar perto de R$ 200. Em Salinas, norte de Minas, onde é feita, circula como moeda. O fabricante até paga os empregados com garrafas da bebida. Produção limitada, com qualidade, a tornaram rara.


A moeda forte em circulação em Salinas, uma pequena cidade do norte de Minas Gerais, já se chamou Havana e agora chama-se Anísio Santiago.
São garrafas da cachaça tida como uma das melhores do País, e sem dúvida a mais cara.
Os empregados que a produzem recebem duas garrafas por semana como salário, cada uma valendo R$ 45. Eles as vendem para o comércio local (que as espera avidamente) por em torno de R$ 70. O salário que seria de R$ 360, transforma-se em R$ 560.
Algumas das garrafas que circulam por Salinas vão parar no estoque de Paulo Roberto Mendes, dono de uma distribuidora especializada em cachaça, de Três Corações, Minas. "Tenho alguns canais, por isso consigo atender pedidos de clientes", diz. Paulo vende cada garrafa por R$ 175.
No balcão da Unha de Gato, uma badalada cachaçaria da Vila Madalena, em São Paulo, a dose custa R$ 18. Praticamente o dobro dos R$ 9 a R$ 10 que se paga, em bons bares da cidade, por dose de um scotch como o Johnnie Walker Red Label. O que há em comum entre as duas bebidas é que ambas envelhecem por oito anos.
Anísio Santiago, morto em dezembro do ano passado, começou a fabricar sua cachaça em 1943. Deu-lhe o nome de Havana e com ela conquistou fama em todo o País (e ganhou todos os concursos de qualidade de que participou). Há três anos, Anísio soube que não poderia mais usar a marca Havana. Ele nunca se preocupara em registrá-la e uma empresa estrangeira o havia feito, como nome de rum.
Em toda sua vida (morreu com 91 anos), Anísio nunca tivera qualquer pendência na Justiça. A cassação da marca Havana o indignou. Ele retirou os rótulos de todas as garrafas do estoque, que seriam substituídos por outros, com seu próprio nome. Não sobrou uma Havana. As que já estavam no comércio viraram raridade.
A Feira da Cachaça, uma distribuidora com sede em Salinas, que vende pela internet, tem algumas garrafas de Havana à venda. Preço: R$ 250. Também dispõe da Anísio Santiago (que é a mesmíssima aguardente, só muda o rótulo) por R$ 140. "As Havanas conseguimos com colecionadores", diz Melissando Norgueira, da Feira. As Anísio vêm em conta-gotas. "Só nos vendem duas garrafas por semana." Muitos moradores de Salinas guardam garrafas com a marca Havana. Alguns, na expectativa de uma ocasião especial para abri-las.
Outros, à espera de valorização e do interesse de colecionadores.
Anísio começou a vida como tropeiro, depois entrou de sócio em um caminhão e acabou ficando dono. Com ele, levava produtos de Salinas, toucinho, aguardente, para vender na região - o pobre Vale do Jequitinhonha, no sertão mineiro. Acabou comprando a fazenda que batizou de Havana, e onde começou a fabricar sua cachaça.
"Meu pai morreu pobre", diz Oswaldo Santiago, 58 anos, um dos seis filhos de Anísio e o que hoje comanda os negócios. "Ele não tinha ambição, não queria ganhar dinheiro. Seu desejo era alcançar o status de melhor produtor de cachaça do País, o que conseguiu."
Oswaldo diz que seu pai não usava dinheiro. "Quase tudo o que ele comprava, pagava com cachaça. Ela era a própria moeda, o povo não queria dinheiro."
Hoje, ainda é assim. Uma garrafa da bebida é bem recebida como pagamento.
Anísio nunca se preocupou com coisas do mercado, expandir a produção, alavancar lucros. Até o fim da década de 50 vendia a cachaça a granel, em barris, levada por negociantes para Salinas e cidades vizinhas. A partir daí passou a engarrafar o produto.
'Cachaça é que nem fumo. Só presta velha'
Um dos netos de Anísio, o economista Roberto Carlos Morais Santiago, diz sobre aquele período, em um artigo: "Como a demanda estava aumentando cada vez mais, Anísio Santiago percebeu que tinha que tomar uma decisão de mercado: ou aumentava a produção, o que poderia comprometer o padrão de qualidade adquirido, ou mantinha o nível da produção".
Optou por manter o padrão. A produção, diz Oswaldo Santiago, o filho, não chega a 10 mil litros por safra. O que resulta em 12 mil a 15 mil garrafas por ano. Oswaldo não pretende mudar o estilo herdado do pai. "Onde há oferta o preço cai. Tem que segurar, para haver procura em vez de oferta."
A Anísio Santiago, com a alma da Havana, poderia ser descrita como mitológica, tal sua fama. Qual o segredo de uma qualidade tão especial? Em uma entrevista ao jornal Diário de Montes Claros, em março de 1980, Anísio deu algumas pistas.
"Tem gente que foi alambiqueiro meu e não entende como a minha cachaça fica boa e a dele, feita igual, não presta. É que o cidadão se aperta de dinheiro e vende antes da hora. Cachaça é que nem fumo: só presta velha. Antes de um ano e meio não pode vender nem para os filhos."
Oswaldo Santiago diz que a cachaça envelhece oito anos em tonéis de bálsamo, uma madeira antes abundante na região de Salinas - mas que hoje, devido à devastação, vem de Rondônia. Depois do envelhecimento, a cachaça é passada para garrafas de 600 ml.
A cana empregada é a Java, a pioneira da época da Colonização. Roberto Carlos, o neto, filho de Oswaldo, acrescenta outros fatores que garantem a qualidade: solo calcário arenoso, clima semi-árido, altitude média de 700 metros, emprego de fermento orgânico natural "e a obsessiva higiene dos alambiques".